terça-feira, 5 de julho de 2011
R.Bento: "Vamos fazer, de certeza, uma equipa competente"
terça-feira, 14 de junho de 2011
Basket: Entrevista » Fernando Santos
Fernando Santos, actual treinador da equipa sénior de Basquetebol do SC Beira-Mar, cuja continuidade foi recentemente divulgada, concedeu entrevista em exclusivo ao maisbeira-mar. Aproveitamos, desde já, para agradecer a disponibilidade de Fernando Santos e elogiar, mais uma vez, o trabalho desenvolvido pela secção nos últimos anos.O balanço da época 2010/2011 é extremamente positivo. O desafio era, à partida, aliciante: encetar o processo de renovação de uma equipa que possuía uma média de idades bem superior a 30 anos e da qual apenas restavam 6 jogadores. A nível competitivo o Beira Mar tinha terminado a sua primeira época no CNB1 com 11 vitórias e outras tantas derrotas, caindo na primeira ronda do playoff, frente ao Gaia.
O trabalho realizado na época que agora terminou permitiu construir uma equipa com uma média de idades de 26 anos e que conquistou, na fase regular, 18 vitórias e somente 4 derrotas. O nosso percurso competitivo viria a terminar na final da zona norte, contra uma equipa que acabou por conquistar com todo o mérito o campeonato nacional, a Oliveirense.
Um dado interessante é que as médias de pontos marcados (69) e sofridos (69) em 2009/2010 deram lugar, na época que agora termina, a médias de 75 pontos marcados e 61 sofridos, o que indicia que os processos implementados tiveram algum sucesso e serão a base do trabalho futuro.
A propósito da época que agora termina é da mais elementar justiça deixar aqui o meu reconhecimento a todos os atletas que sacrificaram tanto das suas vidas para formarem uma equipa forte, competitiva, solidária e leal. Todos deram o seu máximo e souberam honrar o símbolo que carregavam no peito.
2. Quais as principais diferenças que encontrou entre a CNB2 e a CNB1?
No CNB1 encontramos, regra geral, equipas mais competitivas e melhor organizadas do que no CNB2. Não quero com isto excluir as honrosas excepções de clubes que trabalham muitíssimo bem no CNB2 (como é actualmente o caso do nosso “vizinho” Esgueira). Há ainda a diferença de existirem no CNB1 dois atletas norte americanos (Sanjoanense e Oliveirense) e um europeu não português (espanhol, Valença). Outro aspecto positivo que saliento deste CNB1 foi a presença de bastantes jovens com valor em equipas como, por exemplo, Porto B, Sanjoanense ou Olivais. Também positivo é o facto de, apesar de continuarmos com poucos jogos (30 jogos é o máximo expectável), o modelo competitivo, com a existência de playoff após a fase regular, conferir ao CNB1 maior interesse competitivo do que ao CNB2.
3. Qual a sensação de regressar "a casa" para o cargo de treinador da equipa sénior?
É um enorme orgulho e uma oportunidade de mostrar o quanto estou grato. Sinto que devo ao Beira Mar muito do que sou e agradeço profundamente os valores que fui adquirindo na minha formação neste grande clube. Às grandes amizades, construídas lutando por objectivos comuns, somam-se imensas memórias de toda uma adolescência e início de vida adulta vestido de amarelo e negro. Destaco três mais fortes que estarão sempre comigo: o meu primeiro jogo como atleta sénior (na Áustria, em jogo da Taça Korac, que vencemos), o meu primeiro título nacional de seniores (também o primeiro do clube, conquistado por uma equipa fantástica) e o meu primeiro jogo como treinador de uma equipa sénior (pela UA, no Pavilhão do Beira Mar, após homenagem dos meus ex-colegas, jogo inesquecível). Por todas estas razões (e muitas mais) julgo ser fácil perceber o orgulho que é para mim treinar a equipa principal daquele que é o “meu” clube e asseguro-vos que darei sempre, em nome da gratidão que sinto, o melhor de mim ao Sport Clube Beira Mar.
4. Como avalia a secção de Basquetebol (presente) e qual a sua perspectiva a médio prazo?
A secção de basquetebol tem feito um trabalho extraordinário. O Beira Mar prepara-se para competir em todos os escalões masculinos, é uma escola certificada pela FPB e possui já um número considerável de jovens atletas promissores. Fica aqui também uma palavra de reconhecimento para todos os treinadores da formação do clube, pela paixão demonstrada e pelo trabalho diário de grande qualidade, bem como a todos os atletas, pais, familiares e colaboradores, pelos contributos preciosos que vão dando.
Ao nível dos seniores o percurso tem sido sempre a crescer desde que, há 5 épocas atrás, se reactivou a equipa. Deste modo, as perspectivas são de um crescimento sustentado no curto e no médio prazo, com a garantia de não serem dados passos maiores do que as pernas, sempre potenciadores de dolorosas quedas vertiginosas.
5. Em alguns momentos desta época... tanto a equipa como o treinador foram criticados pelo seu comportamento em campo/no jogo. Como analisa esta situação?
No início da época pedi à secção a alteração do horário dos jogos em casa para Domingo às 18h00, para podermos voltar a ter muitas crianças no nosso pavilhão a ver esses jogos. O objectivo assumido foi o de construir uma identidade colectiva baseada na partilha de valores como a correcção, o respeito, a lealdade, o fair-play e a compostura. Este foi e será sempre um dos objectivos primordiais desta equipa e todos demos (e continuaremos a dar) o nosso melhor para o alcançar. Obviamente não somos perfeitos e assumimos humildemente a nossa condição de humanos, logo, falíveis. Mas não nos desviamos dos nossos objectivos, apesar de todas as críticas que, com a naturalidade de quem está sempre sujeito ao escrutínio público, vamos registando.
Como líder desta equipa assumo total responsabilidade pelos momentos em que não fomos perfeitos na nossa conduta mas refuto totalmente o rótulo distorcido de equipa “arruaceira” que nos querem colar. Tanto o treinador como todos os jogadores do Beira Mar que terminaram a época, sempre agiram com máxima correcção e respeito pelo jogo e pelos seus intervenientes. Temos consciência de que podemos sempre obter melhorias e vamos trabalhar com afinco para sermos o exemplo de correcção e fair-play que desejamos ser para as crianças que vão ver os nossos jogos.
Mas esta é a parte controlável. Aquela que depende de nós e que nos compete melhorar diariamente. Há depois uma componente forte de factores que não controlamos e que podem afectar o desenrolar de um jogo, bem como a percepção que o público tem dele.
Quem viu os nossos jogos da segunda volta ou dos playoff percebeu que, mais do que um jogo, o que estava ali a acontecer para alguns intervenientes era uma verdadeira “prova de masculinidade”. Mas, para quem sempre respeita o jogo e todos os seus agentes, como é o nosso caso, estas condutas desviantes por parte de quem é insuspeito dão uma força adicional inimaginável. E uma garantia vos deixo, responderemos a estas “rasteiras” sempre com a máxima compostura e educação. Sem nunca nos demitirmos da nossa condição de cidadãos atentos e participativos, por muita repulsa que esta forma de viver possa causar em quem está tão submissamente acomodado.
Outro aspecto que, apesar de não controlarmos, terá forçosamente que melhorar a curtíssimo prazo é o comportamento de alguns elementos dos Ultras Auri Negros que prejudicam seriamente o clube, a equipa e o atingir do objectivo enunciado atrás. Já conversámos com a chefia da claque de modo a que percebam o que a equipa precisa e se a claque tem ou não capacidade de fornecer esse tipo de apoio. Pelos exemplos dados no último jogo da fase regular e no jogo 2 da final dos playoff, a claque ainda não se encontra em condições de apoiar a nossa equipa como uma claque organizada em apoio ao Sport Clube Beira Mar deve, responsavelmente, fazer. Também este aspecto deve ser motivo de reflexão pois é proibida a sua repetição futura…
Respondendo directamente à questão, farei um pequeno paralelismo, para melhor perceberem como analiso algumas críticas que fazem ao nosso “estranho” comportamento, até porque temos todos os jogos (inclusivamente os jogos de preparação) filmados. Como devem saber, é do conhecimento geral que as avestruzes enfiam a cabeça na areia quando sentem uma ameaça. Contudo, em toda a história do planeta nunca nenhum ser humano alguma vez viu ou registou qualquer avestruz a fazê-lo… Como será isto possível?...
6. 666. Recentemente foi anunciada a sua renovação/continuidade para a próxima época. Qual o plano/estratégia para "atacar" o CNB 1 » 2011/2012?
Sim. O clube fez-me o convite para renovar e eu aceitei as condições propostas, agradecendo esta confiança renovada e reforçada para a época que temos pela frente. Já estamos inclusivamente em fase adiantada da preparação da época de 2011/2012, em que serei também o coordenador dos escalões de sub18 e sub20, no intuito de promovermos a integração de jovens da formação na equipa principal. Brevemente saberão mais novidades…
sexta-feira, 13 de maio de 2011
A entrevista de Regala ao jornal "ojogo"

Foi um risco calculado ter abordado o campeonato com um dos orçamentos mais baixos?
A situação financeira do clube era e continua a ser muito grave, e não tínhamos outra hipótese de abordar a competição, sabedores dos riscos que corríamos, mas conscientes de que poderíamos ter sucesso. Os nossos objectivos foram alcançados e isso é um motivo de satisfação, mas a situação financeira do clube é muito grave - e que não haja ilusões: o Beira-Mar, actualmente, só poderá ser gerido com orçamentos reduzidos e ao mesmo tempo terá de garantir a permanência na primeira divisão por um período alargado de anos.
Neste contexto de crise, e conhecendo-se as dificuldades do clube, é viável pensar na recuperação financeira do Beira-Mar?
Temos contado com o apoio de várias empresas da região, mas sabemos que os tempos não são fáceis, e os cortes nos apoios já se fazem sentir e poderão agravar-se no futuro. Neste contexto, a dependência do sucesso desportivo é avassaladora, e a recuperação só será possível se formos capazes de garantir um período de sucesso desportivo nunca antes alcançado. Para isso acontecer, necessitamos de minimizar a possibilidade de erro. E quem nos garante que isto é possível? Só um ou vários parceiros fortes nos podem garantir a capacidade de apoiar um projecto que caminhe no sentido do crescimento. Só teremos futuro com um parceiro!
Quando fala de um parceiro, refere-se a um investidor?
Exactamente.
Mas já tem algum em vista?
Temos tido reuniões, feito viagens... Há pessoas interessadas. Não temos outra alternativa que não seja procurar caminhos diferentes dos actuais. Todos sabemos a situação em que está o nosso país, e o recurso ao crédito bancário é, para clubes como o Beira-Mar, uma miragem. Assim, a solução passa por procurar parcerias consistentes que nos ajudem a recuperar o Beira-Mar. É nisso que estamos a trabalhar. Também temos expectativa e confiança no trabalho que tem sido feito pela Liga no sentido de se avançar para a regulamentação das apostas online, advindo daí receitas importantes e merecidas para os clubes.
domingo, 17 de abril de 2011
Entrevista de Rui Bento ao Record e Antena 1
Excerto da entrevista concedida por Rui Bento ao jornal Record em parceira com a rádio Antena 1 (parte relativa ao Beira-Mar):RECORD– Foi fácil deixar a FPF para assumir o comando técnico do Beira-Mar?
RUI BENTO – Fácil não foi. Havia uma grande ligação, principalmente aos jogadores que tinham iniciado o processo comigo, o ano passado, nos Sub-17, que este ano é a equipa de Sub-18. Havia um trabalho, um suporte, já havia mais do que uma relação treinador-jogadores. O mais difícil para um treinador é ter a admiração e o reconhecimento dos jogadores, e olharem para nós como pessoas que estão lá para ajudar. Cada vez isso é mais difícil. Mas aconteceu porque no ano passado tivemos um trajeto de sucesso onde perdemos alguns medos. Conseguimos, ao fim de seis anos, apurar a equipa, novamente, para uma fase final do Campeonato da Europa. Perdemos alguns medos no sentido de olhar para nomes de adversários que assustam sempre. E conseguimos excelentes resultados. Penso que o trajeto do ano passado foi muito bem conseguido e isso aproximou-nos de tal maneira que desligar-me desses meninos foi extremamente difícil.
R – O que o fez tomar a decisão?
RB – Para já, foi inesperado. Eu estava a chegar a um estágio dos Sub-16 e fui confrontado com um convite, com um interesse. Respondi que, sem falarem com o presidente da federação, não iniciaria nenhum tipo de contato nem de negociação. Isso foi feito e a partir daí falámos. Eu teria que me decidir rapidamente, porque a situação assim o justificava. Depois de falar com os meus colegas da federação e com o selecionador, com o Paulo Bento, havia uma coisa que, para mim, era determinante: se eles sentissem que a minha saída estaria a interferir, de alguma forma, com o projeto que estávamos a desenvolver, ou com os objetivos que tínhamos para este ano, logicamente que teria de ficar, e ficava de bom grado. Agora, perante esta situação de treinar na 1.ª Liga, que era um dos objetivos que tinha, perante o convite que me foi feito, e pela forma como foi feito pela direção do Beira-Mar, fez com que eu aceitasse, porque, se dissesse não, se calhar ficaria sempre com dúvidas.
R – Entrar no Beira-Mar a 9 jogos do fim do campeonato, mesmo que a equipa tenha feito um percurso positivo, é sempre uma aposta arriscada. Dispôs-se a assumir este risco?
RB – É uma situação que nunca é boa para um treinador. Nós nem um terço do campeonato vamos fazer. Quando me foi feito o convite, olhei para aquilo que tinha sido o trajeto do Beira-Mar, que fez uma primeira volta realmente entusiasmante, bem conseguida. E uma segunda volta que não estava a ser tão regular – nos últimos 5 jogos antes da minha entrada o Beira-Mar tinha conseguido 2 pontos em 15, e há 4 jogos que não marcava. Os fatos eram estes e ainda havia muito campeonato.
R – Entrou a perder com o Sporting mas depois venceu o Paços de Ferreira. Cinco jogos, duas vitórias, duas derrotas e um empate é uma boa média?
RB – Se olharmos para aquilo que foi o nosso rendimento, enquanto equipa, nos jogos que fizemos temos menos pontos do que deveríamos ter. Em Alvalade podíamos ter conseguido pontos, e no jogo com a Naval também. Infelizmente não foi possível. Mas dentro daquilo que era perspetivado, aquilo que a direção me tinha pedido, penso que não estamos a fazer nada de extraordinário, mas numa fase normal.
R – O plantel sofreu movimentações, com a saída de 2 jogadores. Que grupo é que encontrou à disposição?
RB – Encontrei o plantel que existia, sem o Kanu e sem o Ronny e com situações inerentes ao próprio campeonato, como a acumulação de amarelos. Nesta fase do campeonato há muitos jogadores com 5 amarelos e portanto estávamos condicionados. De Alvalade até hoje nunca consegui ter todos os jogadores à disposição.
R – A equipa deu uma boa resposta no último jogo com o Olhanense. É esse o espírito que temos visto no Beira-Mar. Que equipa é que vamos ver no Estádio da Luz, com o Benfica?
RB – O jogo com o Olhanense teve duas metades completamente diferentes. Numa fizemos uma boa gestão, tivemos muita bola, assumimos o jogo, aos 20 minutos podíamos ter a partida praticamente resolvida, dadas as oportunidades que tivemos. Na segunda parte, as coisas foram um bocadinho diferentes. Tivemos mais dificuldade em impor esse jogo, foi mais repartido, com algum mérito mas também felicidade acabámos por fazer o golo, depois ficámos reduzidos a 10 jogadores e a partir daí foi segurar os 3 pontos. Com o Benfica vamos procurar ter uma equipa competente. Sabemos que é sempre um desafio com um grau de dificuldade elevado mas estamos a preparar-nos para fazer um bom jogo, para mostrar a competência dos nossos jogadores, que temos qualidade e podemos disputar a partida.
R – É um jogo especial para si? Estreou-se no comando técnico do Beira-Mar frente ao Sporting, clube onde foi campeão, agora vai encontrar o Benfica, onde atuou nas camadas jovens e onde começou a sua carreira como profissional...
RB – São jogos em que toda a gente gosta de participar. Enquanto jogador, estive no Benfica. Depois fui, muitas vezes, adversário do clube. A verdade é que são partidas que nos motivam. Foram vivências que tive na minha vida e que me marcaram. Estive no Benfica dos 15 aos 19 ou 20 anos, onde fiz o meu percurso, depois fui para o Boavista e fiz os últimos 3 anos da minha carreira no Sporting. Portanto guardo boas recordações, outras nem tanto porque perdemos sempre pessoas que nos marcam, mas há amizades que vão sempre connosco.
R – Houve alguma polémica com o Naval-Benfica, levantada pelo V. Setúbal, pelo facto de o Benfica não ter utilizado os seus principais jogadores. Que Benfica espera?
RB – Eu não tenho de esperar nada. Tenho de preparar a minha equipa e saber qual é o meu papel. Sou treinador do Beira-Mar. É uma gestão que os responsáveis do Benfica farão. Não posso colocar-me no lugar do treinador do Benfica e nem me atrevo a fazê-lo.
R – A equipa vai à Luz para ganhar?
RB – Vamos para fazer um bom jogo e, se tivermos capacidade e oportunidade para vencer um dos grandes no seu estádio, excelente. Seria ótimo ganhar na Luz. Isso sem dúvida.
R – O Beira-Mar tem tido boas críticas. O que se pode ainda esperar até ao final desta época?
RB – Mal dos jogadores que não tiverem objetivos pessoais. É uma condição fundamental para quem quer andar na alta competição. Os jogadores que encontrei no Beira-Mar têm grande sentido profissional, são solidários, trabalham bem, querem crescer, o que ajuda muito. Não é por acaso que o Beira-Mar tem, hoje, muitos jogadores desejados por muita gente. Em termos de motivação, o que nos cumpre fazer é criar um ambiente de trabalho para que os jogadores se sintam bem. O exercício de treino deve dar-nos o que procuramos em termos de organização defensiva e ofensiva. Tentámos introduzir ali criatividade e transmitir-lhes uma coisa que, para mim, é um verdade absoluta: o futebol vive daquilo que vamos fazer e não do que fizemos.
R – Vai formar um plantel desde a pré-época pela primeira vez. É aliciante?
RB – É verdade. No primeiro ano, em Penafiel, a equipa tinha um bom suporte. Tinha descido à 2.ª Liga, e com 2 ou 3 jogadores conseguimos fazer um bom trabalho. Fizemos uma excelente primeira volta, muito perto dos lugares de subida, tínhamos ganho, em confronto direto, a equipas como o Rio Ave, o Leixões e o V. Guimarães, e as coisas encaminhavam-se para uma segunda volta ótima. Mas de um momento para o outro, porque no futebol as coisas mudam, projetámos um jogador, o Diego Costa, cuja qualidade nos obrigou a ficar sem ele e consequentemente sem parte do poder ofensivo da equipa. Depois aconteceram lesões que nos limitaram muito. A seguir, o Boavista... toda a gente sabe como lá fui parar. Cheguei três dias antes do primeiro encontro oficial, sem hipóteses de escolher jogadores. Mas aí foi quase como cumprir um serviço de missão a um clube que me deu muito, ao qual estou bastante ligado. Ali trabalhei com espírito de missão. Nunca pensei em mim, porque a meio da época até íamos bem posicionados, com uma classificação que nos permitia dizer que estávamos a realizar um excelente trabalho, mas não me preocupei comigo. Depois aconteceram vários problemas, fomos perdendo jogadores, e foi uma luta difícil até ao fim.
R – O Beira-Mar está a trabalhar para manter alguns dos melhores jogadores? Muitos estão a ser cobiçados...
RB – É bom para todos que sejam cobiçados por outros clubes. Eles têm contrato e só saem se for vantajoso para todos. É bom para eles, porque os motiva, e são esses jogadores que eu quero. Que sejam falados, que os queiram, e se possível que o Beira-Mar tenha os seus passes. Vamos com calma, sem precipitações. Não estamos parados, principalmente com aqueles que acabam contrato e estão em negociações. A nova época está a começar a mexer agora. Podemos não ter o mesmo dinheiro que outras equipas, temos consciência disso, e então há que arranjar forma de trabalhar com os recursos que temos, tentar antecipar os cenários, trabalhar programadamente, com objetivos claros e a dar passos seguros. Para mim foi importante sentir que, perante a dificuldade, por exemplo, de não ter o Kanu e o Ronny, o clube quis garantir os ordenados aos jogadores e funcionários. Isso já é um princípio de trabalho que me dá segurança, porque tenho gente que se preocupa com os compromissos que estabelece com os seus funcionários.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Entrevista a Leonardo Jardim
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Entrevista de Renan ao jornal "ojogo"

"Por muita vontade que tenha de ver o clube que lhe abriu as portas do campeonato português ser bem sucedido, não haverá lugar para sentimentalismos quando Renan reencontrar o Guimarães.
É desejo do médio que o futuro passe pela Cidade-Berço, mas neste momento só lhe interessa o presente. E esse reside em Aveiro, onde sábado defrontará os amigos vitorianos, como Bruno Teles ou Nilson. Por isso, promete dar o máximo. "Vou estar do lado do Beira-Mar e é por este clube que vou estar lutando, assim como eles vão estar lutando pelo Vitória [Guimarães]. No jogo pode até dar faísca, mas depois a amizade volta", confessou a O JOGO o brasileiro, desejoso de aproveitar esta oportunidade soberana para provar a Manuel Machado que tem valor para regressar aos vimaranenses no final da temporada. "Não sei se o treinador gosta ou não do meu futebol, ou se não encaixava em algum esquema que ele desejava, mas cada um tem a sua opção. Agora quero mostrar as minhas qualidades, porque sei que, se não o fizer, não jogarei em lado nenhum", reconheceu humildemente.
Determinado em fazer do profissionalismo o seu modo de estar no futebol, Renan garantiu que ainda não teve a oportunidade de conversar com os amigos que deixou no Guimarães, mas revela que até à hora do jogo irá fazê-lo. "Nestas alturas há sempre tempo para brincarmos com o jogo. Ajuda a criar clima", referiu o brasileiro, por quem os adeptos do Beira-Mar estão completamente rendidos. De resto, alguns blogues ligados aos aveirenses chegaram a nomeá-lo jogador do mês em Outubro e Novembro, reconhecendo a sua importância no bom desempenho da equipa no campeonato. A distinção não deu direito a estatueta, mas também não é isso que move o médio, que soma 15 jogos em todas as competições esta temporada e três golos marcados (Sporting, Olhanense e Fátima). "Saber que eles gostam do meu trabalho já é muito gratificante. Dá mais força para ser ainda melhor no mês seguinte", assegurou."
Como qualquer jovem brasileiro nascido nas décadas de 80 e 90, também Renan ficou fã das selecções brasileiras que jogaram os Mundiais de 1994 e 1998. Foi em dois jogadores dessas equipas, aliás, que foi buscar inspiração para o seu pontapé canhão, que desde os tempos do modesto Batatais (São Paulo) tenta aperfeiçoar. "Sou fã do Branco e do Roberto Carlos, porque eles tinham um pontapé forte e eu sempre apreciei essa característica neles", confidenciou.
domingo, 28 de novembro de 2010
Entrevista: António Regala

domingo, 14 de novembro de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Entrevista com Tozé Bartolomeu (II Parte)
Sim, já houve outras situações de crise comparáveis, ou até superiores, mas com maior ou menor dificuldade foram ultrapassadas. A que me marcou mais, fez extinguir o Andebol do clube. A sensatez dos sócios sempre prevaleceu, conseguindo-se soluções para a viabilização do clube.
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Vários serão os motivos. Desde um certo comodismo que se verificava no acesso ao anterior estádio, à permanência na 2ª Liga, passando pelo momento conturbado em termos financeiros e pelo desemprego existente. Não acredito que seja pela distância até ao novo estádio. Com efeito, se o estádio "é perto" para ver jogos com as equipas grandes, não pode ser "longe" para ver e apoiar o Beira-Mar.
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Ainda não tenho opinião formada, embora espere e deseje que as decisões a tomar sejam muito ponderadas. Já afirmei na RTN parecer-me que tanto os defensores da SAD, como os defensores de uma direcção, estão a construir a "casa pelo telhado". Em primeiro lugar deveriam apresentar os seus investidores ou os seus candidatos para aquilatarmos os projectos e a credibilidade pessoal. Todos estão a querer avançar com as mãos cheias de nada.
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Confesso que têm sido uma magnífica surpresa. Considero Leonardo Jardim um treinador com enorme potencial e com um futuro promissor. A equipa é equilibrada. O facto de existirem jogadores cobiçados, demonstra a sua capacidade técnica. Estou confiante na subida de divisão, embora receoso das jogadas de bastidores. A demonstração de vitalidade do clube precisa do apoio dos simpatizantes nos jogos que faltam. É importantíssimo continuar a mostrar a todos os agentes desportivos que o Beira-Mar é o clube com maior assistência aos jogos.
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Gostei de ouvir Ribau Esteves, presidente da Comunidade Intermunicipal da Ria de Aveiro, a referir a importância do Beira-Mar para toda a região. A par deste apoio outros poderão surgir apontando no mesmo sentido. A acontecer a subida, que se deseja, é importante tornar o Beira-Mar no símbolo da região, como acontece com outros clubes. Se assim fôr, dentro de meia dúzia de anos poderemos ter o Beira-Mar a lutar por um lugar do meio da tabela, da 1ª Liga, para cima. Esta situação, em termos económicos para a região, também faz retirar dividendos positivos. É assim a "indústria" do futebol e, como tal, a região de Aveiro não se pode dar ao luxo de desperdiçar.
Enquanto me quiserem e a voz deixar.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Entrevista com Tozé Bartolomeu (I Parte)
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Quando é que dá os primeiros passos na rádio?
Comecei por fazer um comentário semanal para um programa na Rádio Independente de Aveiro. Posteriormente tive aí um programa que se chamou "Olhó Balão", de parceria com outros amigos. Tenho saudade desse programa.
E quando é que as duas paixões se cruzam?
Estavamos no princípio das rádios locais. Pediram-me para ir fazer reportagem a jogos de Andebol e de Futebol do Beira-Mar, sem relato completo. Paulatinamente fui fazendo pequenos excertos de relato numa modalidade e noutra, que gravava em casa. Passei muitas horas em auto-crítica e ouvindo atentamente os profissionais do relato, alguns deles meus amigos hoje. Só passei para relatos completos um ano depois e com a certeza de evitar as "brancas", terríveis em rádio. Ser beiramarense não me tira o poder de isenção num relato, mas os resultados tocam-me profundamente. Quando o jogo é longe e o Beira-Mar ganha, faço uma viagem de regresso maravilhosa, mas se perde sinto-me abalado e é penoso o tempo de viagem. Estou há quase 19 anos na Rádio Terra Nova e estive cerca de 8 anos na Rádio Independente de Aveiro. Relatos completos existem há mais de 25 anos.
Como é que surgiram expressões como o "TGV de Aveiro" ou o famoso "golo, golinho, golão"?
O "TGV de Aveiro" só surgiu neste campeonato. Considero o chinês Wang Gang um promissor jogador e, não esqueçamos, tem contrato com o Beira-Mar (não é emprestado). A sua rapidez está em consonância com alta velocidade... de TGV.
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Tantos anos ligado ao Beira-Mar e à rádio certamente que terá vários episódios caricatos para contar. Pode confidenciar alguns deles?
Tenho vários, mas estou a pensar em deixá-los para um livro de memórias. Conto apenas um em 1989 na viagem do Beira-Mar à América. Aliás, há muitas coisas interessantes para contar sobre essa viagem. O Beira-Mar participou num torneio que venceu. Pela diferença horária não era possível fazer directos de rádio porque seriam poucos os que às duas da manhã se disporiam a ouvir um relato do Beira-Mar num torneio. Assim relatei os jogos para um gravador, voltando ao hotel para passar por telefone para Aveiro. A diferença horária fez então das suas, deixando-me adormecer antes de chegar ao intervalo, não virando a cassete. Isso obrigou a que quem estava no estúdio aqui, não dormiu nas duas noites e desesperou pela chegada da manhã para que eu pudesse mandar as segundas partes. Os relatos foram colocados aqui, em reposição, no dia seguinte durante a tarde. Curiosamente tive dois comentadores de alto gabarito nesses jogos. O doutor Armando França, que na altura era elemento de uma comissão de justiça da Federação Portuguesa de Futebol e o engenheiro Azevedo Félix que, na condição de responsável das equipas jovens da Federação Portuguesa de Futebol se tinha acabado de sagrar campeão do mundo pelos nossos juniores.
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Todas! Cada uma á sua maneira tentaram dignificar as cores beiramarenses e, como tal, todas me merecem o maior respeito. Tenho pena que a de 1991 não tenha conseguido vencer a Taça de Portugal, porque bem merecia.
Lançamos 1 desafio... o seu dream-team do SCBM: o melhor 11 de sempre em 4-4-2 ou 4-3-3. E respectivo treinador.
Não seria correcto da minha parte designar 11 jogadores, quando tantos fizeram história no clube. Correndo o risco de me esquecer de alguém, recordo alguns nomes: na baliza o Violas, o José Pereira, o César, o Quim, o Domingos e o Palatsi; jogadores de campo: Manecas, Almeida, Evaristo, Manuel José, Soares, Inguila, João Domingos, Diego, Garcia, Gaio, Colorado, Jorge Silvério, Ribeiro, Dinis, Redondo, Marques, Nelson Moutinho, Nartanga, Bugre, Camegim, Abdul, Alan, Dino, Abdel-Ghany, Petrov, Jorge Neves, Jarvas, Pitico, Américo, António Sousa, Ricardo Sousa, Veloso, Bosinosky, pedindo desculpa a outros que a minha memória atraiçoou.Quanto a treinadores: Anselmo Piza, Manuel Oliveira, Fernando Vaz, Vitor Urbano, António Sousa, Carlos Carvalhal, Paulo Sérgio e Leonardo Jardim.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Entrevista com Francisco Dias
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