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terça-feira, 14 de junho de 2011

Basket: Entrevista » Fernando Santos

Fernando Santos, actual treinador da equipa sénior de Basquetebol do SC Beira-Mar, cuja continuidade foi recentemente divulgada, concedeu entrevista em exclusivo ao maisbeira-mar. Aproveitamos, desde já, para agradecer a disponibilidade de Fernando Santos e elogiar, mais uma vez, o trabalho desenvolvido pela secção nos últimos anos.

1. Qual o balanço que faz da época que agora terminou?

O balanço da época 2010/2011 é extremamente positivo. O desafio era, à partida, aliciante: encetar o processo de renovação de uma equipa que possuía uma média de idades bem superior a 30 anos e da qual apenas restavam 6 jogadores. A nível competitivo o Beira Mar tinha terminado a sua primeira época no CNB1 com 11 vitórias e outras tantas derrotas, caindo na primeira ronda do playoff, frente ao Gaia.

O trabalho realizado na época que agora terminou permitiu construir uma equipa com uma média de idades de 26 anos e que conquistou, na fase regular, 18 vitórias e somente 4 derrotas. O nosso percurso competitivo viria a terminar na final da zona norte, contra uma equipa que acabou por conquistar com todo o mérito o campeonato nacional, a Oliveirense.

Um dado interessante é que as médias de pontos marcados (69) e sofridos (69) em 2009/2010 deram lugar, na época que agora termina, a médias de 75 pontos marcados e 61 sofridos, o que indicia que os processos implementados tiveram algum sucesso e serão a base do trabalho futuro.

A propósito da época que agora termina é da mais elementar justiça deixar aqui o meu reconhecimento a todos os atletas que sacrificaram tanto das suas vidas para formarem uma equipa forte, competitiva, solidária e leal. Todos deram o seu máximo e souberam honrar o símbolo que carregavam no peito.

2. Quais as principais diferenças que encontrou entre a CNB2 e a CNB1?

No CNB1 encontramos, regra geral, equipas mais competitivas e melhor organizadas do que no CNB2. Não quero com isto excluir as honrosas excepções de clubes que trabalham muitíssimo bem no CNB2 (como é actualmente o caso do nosso “vizinho” Esgueira). Há ainda a diferença de existirem no CNB1 dois atletas norte americanos (Sanjoanense e Oliveirense) e um europeu não português (espanhol, Valença). Outro aspecto positivo que saliento deste CNB1 foi a presença de bastantes jovens com valor em equipas como, por exemplo, Porto B, Sanjoanense ou Olivais. Também positivo é o facto de, apesar de continuarmos com poucos jogos (30 jogos é o máximo expectável), o modelo competitivo, com a existência de playoff após a fase regular, conferir ao CNB1 maior interesse competitivo do que ao CNB2.

3. Qual a sensação de regressar "a casa" para o cargo de treinador da equipa sénior?

É um enorme orgulho e uma oportunidade de mostrar o quanto estou grato. Sinto que devo ao Beira Mar muito do que sou e agradeço profundamente os valores que fui adquirindo na minha formação neste grande clube. Às grandes amizades, construídas lutando por objectivos comuns, somam-se imensas memórias de toda uma adolescência e início de vida adulta vestido de amarelo e negro. Destaco três mais fortes que estarão sempre comigo: o meu primeiro jogo como atleta sénior (na Áustria, em jogo da Taça Korac, que vencemos), o meu primeiro título nacional de seniores (também o primeiro do clube, conquistado por uma equipa fantástica) e o meu primeiro jogo como treinador de uma equipa sénior (pela UA, no Pavilhão do Beira Mar, após homenagem dos meus ex-colegas, jogo inesquecível). Por todas estas razões (e muitas mais) julgo ser fácil perceber o orgulho que é para mim treinar a equipa principal daquele que é o “meu” clube e asseguro-vos que darei sempre, em nome da gratidão que sinto, o melhor de mim ao Sport Clube Beira Mar.

4. Como avalia a secção de Basquetebol (presente) e qual a sua perspectiva a médio prazo?

A secção de basquetebol tem feito um trabalho extraordinário. O Beira Mar prepara-se para competir em todos os escalões masculinos, é uma escola certificada pela FPB e possui já um número considerável de jovens atletas promissores. Fica aqui também uma palavra de reconhecimento para todos os treinadores da formação do clube, pela paixão demonstrada e pelo trabalho diário de grande qualidade, bem como a todos os atletas, pais, familiares e colaboradores, pelos contributos preciosos que vão dando.

Ao nível dos seniores o percurso tem sido sempre a crescer desde que, há 5 épocas atrás, se reactivou a equipa. Deste modo, as perspectivas são de um crescimento sustentado no curto e no médio prazo, com a garantia de não serem dados passos maiores do que as pernas, sempre potenciadores de dolorosas quedas vertiginosas.

5. Em alguns momentos desta época... tanto a equipa como o treinador foram criticados pelo seu comportamento em campo/no jogo. Como analisa esta situação?

No início da época pedi à secção a alteração do horário dos jogos em casa para Domingo às 18h00, para podermos voltar a ter muitas crianças no nosso pavilhão a ver esses jogos. O objectivo assumido foi o de construir uma identidade colectiva baseada na partilha de valores como a correcção, o respeito, a lealdade, o fair-play e a compostura. Este foi e será sempre um dos objectivos primordiais desta equipa e todos demos (e continuaremos a dar) o nosso melhor para o alcançar. Obviamente não somos perfeitos e assumimos humildemente a nossa condição de humanos, logo, falíveis. Mas não nos desviamos dos nossos objectivos, apesar de todas as críticas que, com a naturalidade de quem está sempre sujeito ao escrutínio público, vamos registando.

Como líder desta equipa assumo total responsabilidade pelos momentos em que não fomos perfeitos na nossa conduta mas refuto totalmente o rótulo distorcido de equipa “arruaceira” que nos querem colar. Tanto o treinador como todos os jogadores do Beira Mar que terminaram a época, sempre agiram com máxima correcção e respeito pelo jogo e pelos seus intervenientes. Temos consciência de que podemos sempre obter melhorias e vamos trabalhar com afinco para sermos o exemplo de correcção e fair-play que desejamos ser para as crianças que vão ver os nossos jogos.

Mas esta é a parte controlável. Aquela que depende de nós e que nos compete melhorar diariamente. Há depois uma componente forte de factores que não controlamos e que podem afectar o desenrolar de um jogo, bem como a percepção que o público tem dele.

Quem viu os nossos jogos da segunda volta ou dos playoff percebeu que, mais do que um jogo, o que estava ali a acontecer para alguns intervenientes era uma verdadeira “prova de masculinidade”. Mas, para quem sempre respeita o jogo e todos os seus agentes, como é o nosso caso, estas condutas desviantes por parte de quem é insuspeito dão uma força adicional inimaginável. E uma garantia vos deixo, responderemos a estas “rasteiras” sempre com a máxima compostura e educação. Sem nunca nos demitirmos da nossa condição de cidadãos atentos e participativos, por muita repulsa que esta forma de viver possa causar em quem está tão submissamente acomodado.

Outro aspecto que, apesar de não controlarmos, terá forçosamente que melhorar a curtíssimo prazo é o comportamento de alguns elementos dos Ultras Auri Negros que prejudicam seriamente o clube, a equipa e o atingir do objectivo enunciado atrás. Já conversámos com a chefia da claque de modo a que percebam o que a equipa precisa e se a claque tem ou não capacidade de fornecer esse tipo de apoio. Pelos exemplos dados no último jogo da fase regular e no jogo 2 da final dos playoff, a claque ainda não se encontra em condições de apoiar a nossa equipa como uma claque organizada em apoio ao Sport Clube Beira Mar deve, responsavelmente, fazer. Também este aspecto deve ser motivo de reflexão pois é proibida a sua repetição futura…

Respondendo directamente à questão, farei um pequeno paralelismo, para melhor perceberem como analiso algumas críticas que fazem ao nosso “estranho” comportamento, até porque temos todos os jogos (inclusivamente os jogos de preparação) filmados. Como devem saber, é do conhecimento geral que as avestruzes enfiam a cabeça na areia quando sentem uma ameaça. Contudo, em toda a história do planeta nunca nenhum ser humano alguma vez viu ou registou qualquer avestruz a fazê-lo… Como será isto possível?...

6. 666. Recentemente foi anunciada a sua renovação/continuidade para a próxima época. Qual o plano/estratégia para "atacar" o CNB 1 » 2011/2012?

Sim. O clube fez-me o convite para renovar e eu aceitei as condições propostas, agradecendo esta confiança renovada e reforçada para a época que temos pela frente. Já estamos inclusivamente em fase adiantada da preparação da época de 2011/2012, em que serei também o coordenador dos escalões de sub18 e sub20, no intuito de promovermos a integração de jovens da formação na equipa principal. Brevemente saberão mais novidades…

5 comentários:

Anónimo disse...

Muito Bom.

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

O melhor desta entrevista é a utilidade que tem em esclarecer os sócios acerca do enorme valor do grande treinador que o Beira-Mar tem.
Óptimas perguntas, ainda melhor respostas. Obrigado!

Anónimo disse...

é bem sim senhora e força aí, Fernando!

Anónimo disse...

com os auri-negros de outras épocas, tinham sido campeões.