Se há uns anos alguém colocasse a hipótese do Beira-Mar conseguir aguentar a gestão de um estádio com os encargos do EMA… os sócios e adeptos do clube seriam os primeiros a dizer: “Nem pensar”, “Não somos malucos” ou “Não temos capacidade para o efeito”. Hoje, provavelmente, grande parte dos que defendiam, em tese, o regresso ao estádio antigo, estão magoados e revoltados com a decisão da autarquia em chumbar a passagem da gestão do EMA para o Beira-Mar. Não deixa de ser irónico.
Independentemente das razões e motivos dos vereadores "discordantes", analisando a questão apenas do ponto de vista do Beira-Mar, este era o momento certo para dar um passo em frente. Aproveitar a capacidade de um investidor estrangeiro, aparentemente com mais vontade de apostar em “imobiliário” do que em futebol. O grande derrotado deste caso é o Beira-Mar, que corre o risco de perder o investidor, a SAD, a actual direcção e no limite o próprio futebol profissional. Sinceramente… estamos preocupados até porque não acreditamos na existência de um plano B ou alternativa. Afinal, foi esta direcção que confessou não ter capacidade para continuar no modelo actual de clube desportivo. Há processos judiciais em curso, compromissos para regularizar em breve, como por exemplo com os ex-dirigentes, que como sabemos… “não perdoam”.
E agora? Como convencer o Sr. Pishyar a investir no Beira-Mar, assinar o protocolo e avançar para a constituição da SAD se nem sequer conseguiu o 1.º passo/objectivo que parecia tão simples de alcançar? Quando e de que forma poderá rentabilizar um eventual investimento?
A juntar a isto, e no imediato… há um plantel para completar (em especial a frente de ataque) para conseguirmos ficar na I Liga e ainda por cima temos um treinador que merece todas as dúvidas. Da euforia do 4.º lugar prometido em plena AG… passamos para a realidade da "linha de água"… com a agravante de estarmos proibidos de descer, sob pena de extinção do futebol profissional do SC Beira-Mar, tal como o conhecemos.
Não obstante todas as críticas e diferenças que temos relativamente à actual direcção… não gostaríamos de estar na sua pele. É um valente "murro no estômago" que pode deixar KO definitivamente o clube, cenário que tem de ser evitado a todo o custo. Mais do que comunicados a retratar a situação e "toda a envolvente"… requer-se acção, medidas, soluções. É para isto que servem os dirigentes. Caso consigam superar mais este Problema… seremos os primeiros a aplaudir!