Num cenário ideal, seja passivo zero ou perto disso (como acontece, por exemplo, no Paços de Ferreira), seja uma legião de adeptos/sócios como tem o Vitória de Guimarães (e em termos de futebol profissional apenas conquistaram uma Supertaça) muito dificilmente seríamos a favor da constituição de uma SAD para o futebol profissional do clube. Mas nós... somos nós e as nossas circunstâncias. E o momento que o Beira-Mar atravessa (passivo, dívidas, credores, número de sócios/adeptos) não permite, por muito mais tempo, a continuidade do modelo actual.A frase de António Regala, na conferência de imprensa, de Sexta-feira é lapidar. Mais ou menos isto » pelo menos a ideia é esta: No modelo de clube desportivo... serão necessários 7 anos consecutivos na I Liga para eliminar a dívida actual. Bem diferente do “project finance” de Mário Costa do ano passado.
Pelo que, perante o momento concreto do clube... temos de aceitar este novo "passo"/modelo. A forma como as coisas foram feitas é que não nos agradaram. Uma direcção que iniciou funções no Beira-Mar depois de ter rejeitado o modelo SAD poderia/deveria ter procedido de forma diferente. Por exemplo, 1.º anunciar a intenção de avançar para uma SAD, por forma a “chamar” os eventuais interessados, ouvir as diferentes propostas e das uma: Ou escolhiam a melhor ou tentavam, na medida do possível, sintetizar/unificar os interesses dos potenciais investidores.
Ao invés, a Direcção escondeu de quase todos a vontade (legítima) de mudar de paradigma. E quando a manifestou... apresentou um cenário de "pegar ou largar", sem dar a conhecer os pormenores concretos da negociação com o “seu” investidor. Se denominámos a solução SAD do ano passado como "proposta de silêncios"... esta também o é! (em diferentes aspectos)
Desde já, sempre em abstracto, uma vez que desconhecemos o concreto: Não somos contra o aparecimento de um investidor estrangeiro, nem que este tenha o controlo da SAD. O “pouco” que nos foi dito... parece, de facto, tentador. Há "soundbytes" que são transmitidos nitidamente para nos acalmar... numa antecipação aos receios dos sócios, manifestados num passado recente. E a possibilidade de um investidor alargar a sua intervenção à própria cidade também ajuda (e de que maneira) a embelezar o quadro. Ainda neste campo.. não gostámos nada de saber que o investidor, caso a sua proposta seja chumbada, passa imediatamente a credor, por força do empréstimo concedido ao clube durante esta temporada.
Também gostámos (e muito) do aparecimento de outros interessados, em especial de Mano Nunes! Agora... aquilo que queríamos escrever neste post... não pode ser feito. Queríamos discutir qual a melhor proposta e porquê, se as actuais são melhores do que a anterior, pontos fortes e fracos de cada uma.
Assim, ficamos pelas intenções. Avançar (em abstracto) para um modelo SAD, face ao momento actual do clube » Sim. Dizer sim ou votar em consciência na SAD de Majid Pishyar, de Mano Nunes ou de Vítor Pinto da Costa... neste momento não o podemos fazer! Faltam dados para tal desiderato. Talvez daqui a algum tempo se venha a conhecer como é que o iraniano “veio parar a Aveiro”. Repetimos: Nada contra. Mas por que motivo não podemos saber "a história toda"/os dados concretos da negociação com o investidor?
Acima de tudo, como sempre, queremos que o Beira-Mar saia vencedor/reforçado desta situação. Acreditamos que a proposta da direcção seja votada favoravelmente (aprovação da constituição de uma SAD para o futebol profissional). Desejamos que o novo modelo seja o início de uma era muito proveitosa para o Beira-Mar!






